4 de fevereiro de 2010

O Coração das Trevas - Joseph Conrad

O livro trada da viagem do Cap. Marlow pelas entranhas da África, no início do séc. XX, auge do colonialismo europeu. Ele busca encontrar o desaparecido Kurtz, comandante de um posto avançado de uma empresa exploradora de marfim.
Essa Viagem simboliza, entre muitas leituras possiveis- uma jornada de todos nos, em busca da nossa propria humanidade. Ao final, contudo, só fica ''o horror, o horror''.

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27 de janeiro de 2010

A Partilha da África e a Resistência Africana - Jorge Euzébio Assumpção *


A África no século XIX foi vítima da cobiça dos países europeus, que em suas disputas imperialistas partilharam o território. Para conseguir colônias os países capitalistas não mediram esforços. Assim como não pouparam os povos nativos que resistiram à invasão, esses foram vítimas de verdadeiros massacres, quando da defesa de seus territórios, como foi o caso do movimento Mau-Mau. Na busca por novas colônias valia tudo, a exemplo do rei Belga, Leopoldo II. Que usou de todos os métodos, legais ou não, subornando pessoas e cometendo trapaças, para conquistar as terras do Congo e sacralizar seus objetivos - retirar toda a riqueza possível do solo africano. Para tanto os capitalistas cometeram todos os excessos, desde o trabalho compulsório até o extermínio físico. O imperialismo deixou como consequência a chacina e o aniquilamento dentre os diversos povos de origem africana.
Arquivo Reupado

22 de janeiro de 2010

África na Sala de Aula: Visita à História Contemporânea - Leila Leite Hernandez


O livro "África na Sala de Aula: Visita à História Contemporânea" reúne aulas de história da África, ministradas entre 1998 e 2003, pela historiadora Leila Leite Hernandez, na PUC-SP. Durante esse período, a autora foi amadurecendo sua visão deste continente tão pouco conhecido e cuja história é complexa e envolve uma enorme diversidade de culturas e modos de ser.
Como observa o escritor angolano Mia Couto, que prefaciou a obra, o livro consegue ser fiel ao que ele chama de a tripla condição restritiva do continente africano: prisioneiro de um passado inventado por outros, amarrado a um presente imposto pelo exterior e, ainda, refém de metas que lhe foram construídas por instituições internacionais que comandam a economia.
"África na Sala de Aula: Visita à História Contemporânea" é, na verdade, a primeira pesquisa historiográfica e iconográfica realizada no Brasil que leva em consideração a história do continente africano como um todo. A obra é uma empreitada de fôlego, fruto de uma pesquisa de quase uma década sobre o assunto. A leitura do texto vai alargando e aprofundando nossa compreensão sobre a freqüente movimentação de caráter sócio-político do continente africano.

19 de janeiro de 2010

A Revolução dos Bichos - George Orwell


Escrita em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945 depois de ter sido rejeitada por várias editoras, essa pequena narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente na luta contra o eixo nazifascista. De fato, são claras as referências: o despótico Napoleão seria Stálin, o banido Bola-de-Neve seria Trotsky, e os eventos políticos ? expurgos, instituição de um estado policial, deturpação tendenciosa da História ? mimetizam os que estavam em curso na União Soviética. Com o acirramento da Guerra Fria, as mesmas razões que causaram constrangimento na época de sua publicação levaram A revolução dos bichos a ser amplamente usada pelo Ocidente nas décadas seguintes como arma ideológica contra o comunismo. O próprio Orwell, adepto do socialismo e inimigo de qualquer forma de manipulação política, sentiu-se incomodado com a utilização de sua fábula como panfleto. Mesmo profundas transformações políticas que mudaram a fisionomia do planeta nas últimas décadas, a pequena obra-prima de Orwell continua atual como uma critica feroz a todo tipo de autoritarismo.
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21 de novembro de 2009

D. Pedro II - José Murilo de Carvalho



D. Pedro II governou o Brasil por quase meio século, de 1840 até a proclamação da Republica, e em 1889. É uma figura contraditória, ao mesmo tempo majestatica e rebelde, que José Murilo de Carvalho descreve nessa biografia que vai muito além do retrato convencional do imperador imponente, com suas longas barbas brancas e seus penetrantes olhos azuis. Em sua postura politica procurou manter a moderação nas lutas de seu tempo, teve a guerra do Paraguai. Por outro lado vem a tona a figura de um homem tímido, oprimido pelo proprio poder, aás vezes inconformado com os sacrificios pessoais que lhe eram exigidos.
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17 de outubro de 2009

Historia da Vida Privada no Brasil vol3 - Fernando A. Novais, Nicolau Sevcenko



A Coleção História da Vida Privada no Brasil chega ao século 20. Seu terceiro volume traz as novas praticas e hábitos de consumo surgidos em meio a amplas transformações tecnologicas ocorridas no final do século 19, o declinio do Império, a emancipação dos escravos, a chegada dos grandes contingentes de imigrantes vindos de todas as partes do mundo, o adensamento populacional nas cidades. A obra foi vencedora o Prêmio Jabuti de 1999 de melhor livro de Ciências Humanas.


16 de outubro de 2009

Inteligibilidade racional e historicidade - Michel Paty

Um dos principais objetivos da ciência é mostrar que "o mundo é inteligível pela razão humana". Esta busca de compreensão racional tem uma história estreitamente ligada à história das ciências, mas também à das técnicas e à da filosofia, assim como à criação científica. Analisamos as relações entre construção social e historicidade, enfatizando a relevância dos conteúdos do conhecimento, os quais não se deixam dissolver nas condições externas de sua constituição. Toda a riqueza da historicidade pode ser vista na maneira orgânica pela qual estes conteúdos são tecidos a partir de materiais do mundo empírico assimilados em construções racionais. A própria historicidade torna-se-nos inteligível e permite entender as ampliações da racionalidade que possibilitam as aberturas, as invenções e os progressos do conhecimento.

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12 de outubro de 2009

O Pensamento Selvagem - Claude Lévi-Strauss (novo link)



Este livro, segundo o seu próprio autor, pretende continuar o seu outro trabalho, "Totemismo hoje", que por sua vez é considerado uma introdução histórica e crítica a "O pensamento selvagem". Como os outros escritos de Lévi-Strauss, este é guiado por um método estruturalista, que consiste em que, após uma análise empírica detalhada dos fenômenos sociais, políticos, econômicos e culturais que são o objeto de investigação, seja construído com base nesses fatos pesquisados um modelo sistêmico, por meio do qual se retorna aos fatos para interpretá-los e esclarecê-los. Nesta obra, Claude Lévi-Strauss busca encontrar as características que distinguem as criações intelectuais dos povos considerados "primitivos" (denominação que ele critica) daquelas das culturas modernas. Às primeiras corresponde o pensamento selvagem, que se expressa por meio do mito, e à segunda corresponde o pensamento cultivado, que encontra a sua realização na ciência e na arte das sociedades modernas. Mas a análise de Lévi-Strauss, passando por numerosos exemplos retirados de etnografias, comparando-os e interpretando-os, procura mostrar também as possíveis semelhanças entre as culturas "primitivas", que ele denomina como sociedades "frias", e as culturas modernas, chamadas de sociedades "quentes". Segundo Lévi-Strauss, o mito de define como uma tentativa de explicação e compreensão da realidade natural e social por meio de um esquema, verdadeiro sistema de oposições e correlações binárias que, no pensamento selvagem, se expressa por meio de uma montagem de imagens registradas em uma narrativa. O mito é, portanto, uma manifestação de toda uma filosofia e concepção de mundo, "superestruturas" e ideologias, que é, por sua vez, reflexo de condições técnico-econômicas da vida coletiva, "infra-estrutura".